DOM FRANCO: FÉ E AMOR AO PRÓXIMO
A Igreja Católica do Brasil, os pobres e excluídos, os povos
indígenas, os camponeses que lutam pela vida e pela preservação do meio
ambiente, ainda estão com os corações sofridos. A partida de Dom Franco
Masserdotti, causou um profundo pesar nos cristãos maranhenses, brasileiros e
especialmente no Povo de Deus da Diocese de Balsas, onde ele era o bispo, o
pastor, o irmão, o conselheiro, o mensageiro do amor, da paz e da justiça. Era
um homem iluminado que dedicava a sua vida à luta em defesa dos direitos e da
dignidade dos seus irmãos e bem presente com os povos indígenas. As suas
celebrações tocavam as ilimitadas reservas do espírito do coração de todos os
que o assistiam pela fé expressada a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo
e à Mãe de Jesus Cristo, lembrando sempre que a vida é um Dom de Deus.
PRESIDIA O CONSELHO INDIGENISTA
Dom Franco Masserdotti era italiano de nascimento, mas
brasileiro, maranhense e balsense pelo amor que dedicava e recebia de todos.
Como presidente do Conselho Indigenista Missionário – CIMI se constituía, com
os padres combonianos, com quem teve a sua formação religiosa, em lutador
determinado, e em muitas ocasiões até colocando a vida em risco para defender
os povos indígenas sempre ameaçados por grileiros, latifundiários e por
instituição dos Poderes Constituídos. No evento de comemoração dos 500 anos de
descobrimento do Brasil, ele enfrentou policiais que agrediram índios
covardemente na Bahia.
A LUTA PELA VIDA
Certa vez no boletim Nossa Pastoral da diocese de Balsas
Dom Franco Masserdotti escreveu: VOCAÇÃO, PAIXÃO PELA VIDA: “Não se pode
falar em vocação sem falar da Vida. A vocação se expressa como Serviço
Apaixonado pela Vida. O primeiro servidor apaixonado pela vida foi Jesus. Ele,
ao longo de sua vida e de sua missão, buscou preparar para todos, sobretudo
para os pobres, a Festa da Vida”.
GRITOS DOS POVOS DO CERRADO
Em julho de 2004, o Grito dos Povos Contra a Destruição do
Cerrado, realizado no Seminário Internacional Bioma Cerrado, na cidade de
Balsas, reuniu homens e mulheres sofridos, ambientalistas, dirigentes de
entidades de diversos pontos do país, escritores brasileiros e estrangeiros
para uma reflexão sobre a situação, o descaso e a destruição do cerrado nas
regiões do Maranhão, Piauí, Tocantins e Ceará. Dom Franco Masserdotti, naquela
ocasião disse: “É necessária uma conversão ecológica que leve a uma nova
compreensão da vida e da natureza por parte das pessoas e uma transformação das
estruturas sócio-econômicas que, além de destruir, manipular e saquear a
natureza para aumentar o lucro, impõe terríveis condições de vida para a
maioria da população mundial e enfraquece o planeta para as futuras gerações.”
OS ÍNDIOS E NATUREZA
No mesmo Seminário Dom Franco registrou o trabalho que
vem sendo realizado pelo Conselho Indigenista Missionário – CIMI no Maranhão e
no Brasil e salientou: “Os Índios nos ensinam um relacionamento sereno com a
natureza e o respeito pelo equilíbrio da criação. Eles se sentem parte da
criação. Através de seus mitos, revelam a crença de que os seres humanos e os
demais viventes formam uma única corrente sagrada de vida que exige
solidariedade e gratidão para com todos os seres, e a valorização não violenta da
natureza”.
Diocese de Balsas, eternamente grata a Dom Franco
Masserdotti.